
Cenas da recessão mundial, via Boston.com. Um verdadeiro "eye opener".
Tuesday, March 24, 2009
Scenes from the recession - Boston.com
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Elói
às
13:14
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espertinho(s)
Wednesday, December 17, 2008
Sete coisas que você não sabe sobre mim
Para parafrasear minha irmã: fui intimado por ela a compartilhar com o universo sete coisas que ninguém saiba sobre mim. E no final eu tenho que transmitir a maldição a mais outros incautos. Como me parece ser essa uma corrente sem vítimas, decidi seguir no jogo.
Aliás, achei divertido rastrear os links para trás da Laura e acompanhar o fluxo da corrente. Bem melhor, mais fácil e interessante que as correntes via e-mail...
1) Eu fiquei viciado em Mario Kart Wii, não consigo parar de jogar sempre que estou em casa
2) Até alguns meses atrás eu estava com um problema sério de concentração no trabalho, sempre procrastinando as tarefas em favor de navegar na Internet; no final, eu descobri que o motivo era porque eu estava desorganizado demais, e por não saber por onde começar eu fazia "default" pro browser. Solução: coloquei uma fita do Senhor-do-bonfim em mim pra me lembrar de que toda hora que eu abro o Chrome é porque eu preciso parar e me organizar. Tem funcionado muito bem!
3) Quando estou sem a família em casa (como agora) só consigo dormir com a TV ligada, pra "sentir" como se tivesse alguém mais comigo.
4) Ainda no tópico acima, quando a Mara não está comigo, eu não consigo dormir no meio da cama. Eu sempre deixo o cantinho dela guardado. Mesmo em quarto de hotel, quando me dão cama grande.
5) Eu não gostava de Enzo como nome pro meu filho. Na verdade, nunca consegui gostar de nome nenhum para menino. Mas depois me apeguei ao nome, que foi a Mara que escolheu. Para minha filha foi fácil: Luísa, da música do Jobim. Mas fiquei decepcionado quando descobri que a do Jobim é Luiza. Por mais que eu gostasse da música, não consegui trair o português: tinha que ter acento no I e S entre as vogais.
6) Para minha terceira filha, dei o nome de uma vizinha minha que estudamos juntos no primeiro grau. Eu não era apaixonado por ela nem nada, mas eu sempre achei o nome dela lindo: Juliana. Como não queria que a Mara rejeitasse o nome achando que eu tinha dado porque era de uma ex-namorada (o que não era, mas mulher é fogo), eu não contei isso pra ela até hoje... Vamos descobrir se ela lê o meu blog.
7) Eu sou absolutamente fanático por espaguete carbonara. Eu faço meu próprio (tenho aprimorado, Dida!) e toda vez que vou num restaurante que tem, eu tenho que pedir, por mais que haja outras opções interessantes. E quando eu gosto de um, dificilmente eu consigo não pedir ele quando eu retorno ao mesmo restaurante.
Dá pra fazer fácil mais de 7, mas vamos nos ater ao espírito da brincadeira e também não fazer nada muito (mais) comprometedor.
Agora vamos lá: quais são as sete coisas que eu não sei do Scheer e da Dida?
UPDATE: o blog do Scheer está "fechado para reforma", mas fica o desafio até que ele volte em serviço.
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Elói
às
22:34
2
espertinho(s)
Saturday, December 6, 2008
nunca vi nada igual
Essa foi a idéia mais bem bolada que já vi para usar a Internet com marketing. Clique aqui ou em qualquer um dos banners para conhecer os Banner Concerts, organizado pela Axion que é um braço de promoção musical do banco belga Dexia. | ||
Não pude resistir ao apelo e enchi meu blog de propaganda da Dexia. Como se não bastasse ser uma puta boa idéia, a seleção musical é muito boa também. Execução excepcional de toda a campanha. Incluí meus favoritos, mas isso é injusto com os outros, pois ainda não consegui ouvir todos... :) | ||
Tiro meu chapéu pra quem teve essa puta idéia! Clique em "bekijk het" para ouvir. | ||
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Elói
às
14:57
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espertinho(s)
classificação taxonômica: boas sacadas
Saturday, November 29, 2008
neva na Bélgica também
Não achei que iria ver tanta neve assim na Bélgica. Quase um palmo de profundidade, depois de nevar por quase 4 horas seguidas. Eu estava num almoço com brasileiros no dia. Depois que a neve parou, o único pensamento em todas as cabeças era "guerra de neve". E assim foi...
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Elói
às
12:31
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espertinho(s)
classificação taxonômica: eu mesmo
Tuesday, September 30, 2008
o povo americano - versão resumida
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Elói
às
17:33
1 espertinho(s)
classificação taxonômica: política
Friday, September 26, 2008
o céu está caindo!!!
Um excelente exemplo do excelente trabalho que George W. Bush vêm produzindo para te assegurar que tudo vai bem:
por
Elói
às
22:58
1 espertinho(s)
classificação taxonômica: política
Monday, September 22, 2008
momento de reflexão
Um momento de reflexão é o que diz a palavra: para refletir. Como se sentássemos em frente ao espelho e déssemos uma boa olhada no que aparece. É difícil ficar em frente ao espelho e não pensar em nada. Convida-nos a um julgamento, a dizer a nós mesmos se gostamos ou não do que vemos.
por
Elói
às
21:54
0
espertinho(s)
classificação taxonômica: eu mesmo
Tuesday, April 29, 2008
cortes de carne brasileira em inglês (e outras línguas)
Uma das coisas que mais sofro, ao morar no exterior, é com os cortes da carne. É sempre dureza entender "de que tamos hablando" quando você vai no mercado. Os nomes são dos mais variados, e aqui na Bélgica, vêm em duas versões: Francês e Flamengo (um dialeto Belga do Holandês, uma beleza). Às vezes, você acha em Alemão...
Portanto, não sem muita surpresa, percebi que não tinha certeza de que corte equivalia ao "rumsteak" quando meu pai me perguntou -- estou com meus pais me visitando aqui na Bélgica. Chutei picanha (ou próximo) pois eles aqui não cortam picanha -- simplesmente dividem e misturam em outras carnes (sacrilégio!!). Ao pesquisar, descobri que estava errado (era alcatra) e, no processo, achei uma referência definitiva -- ou quase.
O SIC - Serviço de Informação da Carne (eu sei, eu sei, a sigla podia ser beeem melhor) foi criado nos moldes do CIV - Centre d´Information des Viandes, de Paris, e é muito bom no que faz. Em ajudar você a descobrir como se chama picanha em Inglês, por exemplo (cap of rump).
Abaixo, o link onde você encontra os cortes de carne brasileiras traduzidos em três línguas -- Espanhol, Inglês e Francês (nem todas as carnes estão em todas as três) -- junto com uma boa descrição de como é a carne, textura, gosto, etc. Além disso, você encontra diversas variantes de nomes brasileiros para o mesmo tipo de carne -- você sabia que lagarto também é chamado de tatu?
http://www.sic.org.br/informacoes.asp
Para os mais preguiçosos, segue um sumário rápido das mais importantes. Mas não deixe de visitar o link -- tem muito mais informação pra você que sempre quis saber como se chama patinho em Francês (rond de tranche). Seus problemas acabaram!
Picanha
- Tapa de cuadril (espanhol)
- Cap of rump (inglês)
Maminha
- Colita de cuadril (espanhol)
- Aiguillette baronne (francês)
- Tail of round (inglês)
Alcatra
- Cuadril (espanhol)
- Rumsteck (francês)
- Rump (inglês)
Contra-filé
- Bife de chorizo (espanhol)
- Faux-filet (francês)
- Striploin (inglês)
Filé mignon
- Lomo (espanhol)
- Filet (francês)
- Tenderloin (inglês)
Fraldinha
- Vacio (espanhol)
- Bavette d´aloyau (francês)
- Thin flank (inglês)
Miolo de alcatra
- Corazón de cuadril (espanhol)
- Eye of rump (inglês)
Bisteca ou chuleta
- Côte de boeuf (francês)
Costela
- Asado de tira (espanhol)
- Plat-de-côtes (francês)
- Short ribs (inglês)
Filé de costela
- Bife ancho (espanhol)
- Entrecôte (francês)
- Cube roll (inglês)
Ainda não tem em Flamengo, mas boto fé que eles chegam lá.
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Elói
às
15:30
3
espertinho(s)
classificação taxonômica: boas sacadas
Sunday, April 20, 2008
O livro da Luísa... parte 2
Hoje foi um dia produtivo. Fiz as imagens para os primeiros 14 versos do poema. Mas me dei conta que vai gerar mais trabalho do que eu imaginava: o poema inteiro é composto de 110 versos. Vou ter que ser mais compacto...
Segue mais um gostinho. Segundo minha irmã, essa imagem é a pior delas. E é a que eu mais gostei... cada um tem um gosto (e eu sei que o meu não é dos melhores).
por
Elói
às
21:51
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espertinho(s)
O livro da Luísa... parte 1
Como vocês devem ter percebido (ou não) estou há um bom tempo sem postar nada. O trabalho está me consumindo mais do que eu gostaria. Eu tinha previsto que isso ia acontecer e deixei um bom "estoque" de textos guardados. Mas não tinha imaginado que eu ia esgotar tão rápido.
Pra "ajudar", iniciei um projeto guardado há tempos: desenhar o poema que escrevi pra minha filha, Luísa, pra finalmente transformá-lo em livro. O objetivo: dar uma cópia a nossos amigos no aniversário dela, em 24 de Maio. Ou seja, estou atrasado... :)
Pra quem tiver interesse segue a primeira imagem que consegui produzir depois de muito esforço. O intuito é desenhar um livro infantil. O poema conta a história de Seu Pato e Dona Pata que, depois de muito sonhar, mas sem conseguir terem um patinho, decidem adotar um.
Depois que escrevi o livro do Enzo me dei conta que a história alcança bem adultos, mas não crianças. Daí o poema pra Luísa. Queria que o Enzo e a Luísa tivessem um jeito simples de entender como é a adoção, sem passar pelos detalhes sórdidos que só os adultos conseguem criar.
Quando o livrinho estiver pronto, vou colocar no site pra vocês verem. Mas não quero publicar o poema sem os desenhos. Eles são parte integral de como eu imaginei a história sendo contada.
Espero que vocês gostem.
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Elói
às
17:18
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espertinho(s)
classificação taxonômica: eu mesmo
Thursday, March 20, 2008
sumiu
Sumiu
A vergonha na cara
O respeito era a capa
A anarquia chuva
Na madrugada muda
A cidade palra
O cérebro pulsa
A verve morta
Pensamento sabota
Na manhã tensa
A falta volta
Sem sinal de salvação
A TV solução
Jesus escravidão
No inferno redenção
Deus um pulsão
Na hora que sumiu tudo
Na hora que partiu mudo
Berrou o som surdo
A plenos pulmões
Fumante inveterado
No segundo da hora
Vive a hora de cada um
Será que vive agora
A minha
Senhora?
Foda
Sumiu, mudo, na distância infinita entre o minuto que passou e o minuto depois que fui, valeu o quê a raiva, a dor?, sumiu, surdo, sem sinal, sonho, sabotagem, sacanagem
Sumiu
por
Elói
às
23:36
1 espertinho(s)
classificação taxonômica: poesia
Tuesday, March 18, 2008
tempo maluco...
Hoje escrevo para vós diretamente de Bremen, na Alemanha, terra dos famosos músicos da cidade (no Brasil conhecidos como "Os Saltimbancos").
São duas da tarde, e olhar o tempo passar da janela nunca se mostrou tão interessante: já choveram duas vezes, nevou mais duas, caiu granizo agora há pouco e, nesse momento, o sol abre sua cara pela terceira vez. E um sol bonito, brilhante, dá até vontade de sair lá fora de camiseta, não fosse pelo fato que fazem 3 graus nesse momento.
Meus colegas alemães me disseram que isso é o que eles chamam de "tempo de Abril", ou seja, é assim mesmo. O único "porém" é que estamos em Março... isso tem outro nome, aquecimento global.
UPDATE: Agora ferrou de vez, tá nevando e com sol...
por
Elói
às
13:52
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espertinho(s)
classificação taxonômica: eu mesmo
Sunday, March 9, 2008
coletivo e o espelho mágico
Era uma vez Coletivo. Ele vivia pra lá e pra cá. Pouco pensava no que fazia, pouco fazia. Não gostava de trabalhar, às vezes não trabalhava. Tinha fome, comia. Tinha sede, bebia. Às vezes comia demais. Às vezes bebia demais. Coletivo era meio besta, sem propósito.
De segunda à sexta labutava duro, mas nos fins-de-semana, sonhava. Todo sábado e domingo tudo que fazia era sentar-se ao espelho, narcisista que era. Mas não em frente à um espelho qualquer, comum, mas daqueles que distorcem a imagem. Um barato! Nele, Coletivo parecia muito melhor do que era de verdade.
Se era gordo, parecia magro. Se era feio, bonito. Se era pobre, rico. Comum, poderoso. Burro, inteligente. E por aí em diante. Tudo que fosse, o espelho fazia parecer melhor.
E ele gostava. Como gostava daquele espelho mágico. Ele não conseguia mais imaginar-se sem ele. Afinal, a realidade era muito pesada com Coletivo. Era muita violência, muita doença, muita pobreza, muito... muito! Preferia mil vezes ficar à frente do espelho do que encarar a realidade.
Lembrava-se, embora com dificuldade, da época que não tinha o espelho. Não sabe porque, mas tinha a impressão que a realidade não parecia tão difícil de encarar naquele tempo. Talvez por isso o espelho não fizesse tanta falta... mas não era uma vida fácil. Lembrava-se de ter protestado, gritado e lutado contra uma pessoa cruel cujo objetivo era lhe controlar a todo custo, lhe dizer o que fazer, quando fazer, como fazer. Elite era seu nome. Mas ele era jovem, motivado, animado. Tinha energia e disposição para a briga.
Os tempos eram outros, não tinha mais ânimo para protestar. Aceitou, ignorou, abstraiu. Afinal, ele tinha o espelho. Pra quê mais? Na frente dele parecia ainda melhor e mais bem disposto do que quando era jovem.
O espelho tinha sido um presente de Elite, como forma de selar a paz. Coletivo não era bobo, sabia que ela continuava tentando mandar nele como sempre. Mas agora as relações eram pacíficas, cordiais, profissionais. Ela era sua chefe na firma. Ele trabalhava, ela pagava o salário. Simples, fácil.
Mas um dia algo terrível aconteceu. O espelho quebrou. Não ligava mais. Suas imagens tão bonitas agora chiavam cinza como que rindo de seu sonho apagado. Coletivo não conseguia pensar, não conseguia reagir. Quis reclamar, quis matar Elite. Mas tanto tempo se passara que não sabia o que fazer. Sentiu-se impotente, amputado.
Contra o tubo desligado viu seu verdadeiro eu, que há muito não encarava. Aquela imagem acabada, desesperançada, vendida, tão distante da lembrança que tinha de si, não deixou dúvidas do que tinha de ser feito. Agarrou seu precioso aparelho de TV queimado e pulou da janela do 10o andar onde morava.
por
Elói
às
16:28
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espertinho(s)
classificação taxonômica: conto
Sunday, March 2, 2008
blue screen of death
Há duas semanas atrás, passamos o final de semana num lugar muito legal chamado Center Parcs. Na verdade é uma rede de parques privados com chalés que você pode alugar pra passar toda semana ou um fim-de-semana apenas. Lá você tem uma infra-estrutura de lazer muito legal à disposição: piscinas aquecidas, bicicletas, quadras de tênis e por aí vai. Nesse que fomos tinha um algo mais: esqui indoor. Pensei: que ótima chance de matar saudades do Canadá.
Eramos três casais com sete crianças (minhas inclusas). No dia do esqui fomos em comitiva: todos os homens e todas as crianças (exceto a Luísa; lamentavelmente não tinham esquis pra crianças que não sabem andar). As mulheres acharam uma boa idéia ficar longe dessa "fria" (trocadilho não intencional).
Fomos esquiar, Enzo e eu. Claro que tive que acompanhá-lo o tempo todo. Num determinado momento, ele esquiou sozinho até o sopé do morrinho que lá havia, mas caiu no final. Eu vinha descendo logo atrás. Ao vê-lo chorando, fiz uma curva pra alcançá-lo mas me empolguei e cai também. A minha posição de queda foi tão ignóbil que eu não conseguia levantar. A única saída era remover os esquis.
Nesse momento percebi que minha posição era tão abjeta que minha mão não conseguiria alcançar a trava dos esquis pra soltá-los. Enzo continuava chorando. Eu então estiquei minha mão beeeem atrás de meu corpo, girando minha coluna quase 180 graus, num heróico esforço pra me livrar dos esquis. Nesse momento senti um "plec" dentro do meu braço. Pensei: isso vai doer amanhã. Mas alcancei os esquis, me levantei e peguei o Enzo. Problema resolvido.
No dia seguinte uma dor infernal fazia festa dentro do meu braço direito. Esse constante sofrer, que me acompanha enquanto escrevo essas tortas linhas, se manifesta na forma de um formigamento interminável irradiando do meu dedo indicador até o final do ante-braço. Amém pelo Ibuprofeno. Me dá vontade de dar um tiro na minha cabeça só pra me livrar da raiva que sinto de ter dado a maldita esticadinha pra soltar os esquis.
Claro que, depois de uma semana à base de analgésicos, fui à nossa médica de família (estou quase chegando ao clímax, segurem aí). Depois de fazer alguns exames rápidos ela decretou que eu provavelmente danifiquei ou machuquei um nervo da minha coluna. Nada de importante, claro. Me encaminhou então para um especialista em nervos e músculos.
Fui ao especialista na semana seguinte. Chegando lá fui atendido por uma médica, expliquei a história de novo e fizemos mais uma série de exames táteis. Finalmente, ela pediu pra que eu tirasse a camisa e sentasse ao lado de um aparelho.
O dito tinha vários cabos saindo dele. Um deles ela prendeu no meu braço. Outro, no meu dedo. E um terceiro ela molhou numa solução e encostou numa parte do meu pulso. Achei que fosse algo como um eletrocardiograma, que coleta informações que meu corpo está gerando, mas era uma versão mais sofisticada que não só recebia "input", mas dava "output" também. Em resumo, o aparelho ia testar meus nervos por meio de eletro-choques dados pelo terceiro cabo.
Pensei em correr. Talvez se eu derrubasse a máquina na médica tivesse uma boa chance de alcançar a porta antes dela se levantar. Mas eu já estava preso e qualquer movimento em falso podia resultar na cadeira elétrica. A idéia de receber choques não me preocupava (é, com certeza) mas sim um pequeno detalhe que notei na tela do aparelho. Resignado, me entreguei. E lá foi ela dando choque aqui, choque ali. Minha mão pulava como milho de pipoca em panela quente. Loucura, loucura. Algumas vezes realmente doeu.
Terminada a sessão de tortura, ela informou que essa era apenas a primeira metade. Mais choques, perguntei desconsolado? A afirmativa era o menor dos problemas, pois ela informou que o simples contato com a pele não resolveria mais. Pra testar meus músculos, os choques seriam administrados via uma agulha enfiada no meio deles.
Eu não sou (muito) cagão com coisas de hospital. Não ligo de levar injeção. Em condições normais de temperatura e pressão não seria nenhum grande drama levar choques através de um pedaço de metal atravessado nos meus músculos. Afinal, essas máquinas hospitalares são amplamente testadas e contém várias travas de segurança pra evitar que eu frite até a morte.
Mas havia um pequeno detalhe no satânico aparelho que deixava tudo muito mais perigoso. Algo tão assustador que me fez torcer para que o filho-da-puta que inventou a porra do equipamento tivesse a mãe na zona. Aquilo que apareceu na tela antes da sessão começar era tão macabro que somente alguém totalmente desprovido de senso comum aceitaria tomar choques via computador sem protestar.
Logo após me prender à máquina ela apertou uma tecla e pude ver, por um breve momento, o salva-tela que desaparecia. Dançando pra lá e pra cá, vi o logotipo do Windows XP.
por
Elói
às
02:31
2
espertinho(s)
classificação taxonômica: eu mesmo
Wednesday, February 27, 2008
ode ao meu celular
Ó celular, celular
Quantas chamadas você aguentou
Quantas porradas você levou
Quanta queda você tomou
E nunca falhou
Ó celular, celular
Seu teclado tem um segredo
Abre com a força do dedo
E revela por dentro
Um QWERTY completo
Ó celular, celular
Quantas noites não veio me atormentar
Quantas manhãs não foi me acordar
Quantas vezes você foi tocar
Acho que minha esposa quer te matar
Ó celular, celular
Seu teclado e bloco de notas
Ah, quantas notas
Tomou e anotou
E no final com o PC sincronizou
Ó celular, celular
Por todo mundo já estiveste
Norte, sul, leste, oeste
Por quantas operadoras já passou
Quantos chips, abrigou
Ó celular, celular
De quantas frias me salvou
Quando fingiu que tocou
E a companhia que me prestava
Enquanto eu cagava
Ó celular, celular
Estou com muito medo
Pois você está velho
Acho que deixar-me-á na mão
No próximo escorregão
Ó celular, celular
A nova geração vem me chamar
Todos dizem pra eu te trocar
Mas, firme, digo não
Qual outro celular tem jogo de gamão?
Ó celular, celular
Recentemente vim a estranhar
Meus ouvintes dizem não me escutar
O que houve com seu microfone?
Temo que você não mais funcione
Ó celular, celular
Sua hora está se aproximando
Seu vibra-call está falhando
De se esperar, como seria
Para um eletrônico feito na China
Ó celular, celular
Não sei como te substituir
Preciso um teclado premir
Com QWERTY completo
E que caiba no bolso
Ó celular, celular
No final o que fazer?
Parece que você vai morrer
Mas enquanto funcionar
Não vou te trocar
Ó celular, celular
Se não me ouvirem direito
Apelarei para o grito
Pois após tantos anos que se passaram
Um melhor ainda não inventaram
por
Elói
às
22:32
0
espertinho(s)
classificação taxonômica: poesia, tecnologia


