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Tuesday, April 26, 2011

Quer encontrar alguém que confia no próximo? Procure um motoqueiro.

Desde que comecei a atravessar a cidade com uma moto, passei por três dois estágios.

No primeiro, você acha que tudo é possível, mas você não tem coragem de fazer -- cortar no meio dos carros, andar no corredor, inclinar a moto a 45 graus na curva. Você só fica olhando admirado os "cachorros loucos" fazerem coisas que até deus duvida.

No segundo, você conclui que algumas coisas dá pra fazer, e na verdade não requerem muita coragem, apenas prática e perder aquele cagaço inicial da moto. Coisas do tipo fazer curvas mais fechadas, inclinando (só um pouquinho) a moto, andar no corredor (mas só quando os carros estão parados no semáforo) e outros afins.

No terceiro, o qual alcancei hoje, você percebe Hoje percebi que existe um terceiro estágio, que ao alcançá-lo você se torna um verdadeiro cachorro louco. E nesse estágio entendi que você não precisa de coragem. Você precisa de uma inabalável fé no próximo.

É isso mesmo. Pra fazer as loucuras que você vê os motoqueiros fazendo por aí, saiba que essas loucuras só são possíveis porque eles tem plena fé e convicção que você, motorista, não irá fechá-lo repentinamente, irá abrir um pouco mais pros lados pra criar espaço pra ele no corredor, sempre no último momento possível.

É ou não é um verdadeiro testemunho à evolução da humanidade? Se todos formos mais como os cachorros loucos da vida, o mundo será um lugar melhor pra se viver... (?!???!!?)

--

UPDATE: para tranquilizar amigos e família, atualizei o post, pois da maneira que tinha escrito antes levou o pessoal a pensar que eu alcancei o terceiro estágio eu mesmo. Na verdade o que aconteceu é que eu entendi o que é preciso pra se alcançar o terceiro stágio. Mas estou firme e forte no segundo. Eu não consigo ter tanta fé assim no próximo... O quarto estágio, creio eu, é o hospital, e estou tentando me manter longe dele. ;-)

Sunday, April 11, 2010

Bom trabalho vs. excelente trabalho

E cá estou de volta ao hospital... Segunda cirurgia em menos de 20 dias, o blog tá ficando animado!

Se tudo der certo, saio hoje pra nunca mais voltar. Peguei ojeriza de hospital e de médico. Juro que se precisar de uma terceira cirurgia eu tenho um treco!

Cada vez que venho pra essa porcaria, pelo menos há uma vantagem: tenho tempo pra refletir nas coisas, e o blog ganha um post novo. Penso, logo o blog existe. Ou ainda melhor: adoeço, logo o blog existe!

Dessa vez, o destaque vai para a definição do que é bom versus o que é excelente trabalho. Trocamos há pouco de empregada em casa, e estamos muito felizes com ela até agora (primeiro mês, tá mostrando serviço, vamos ver como vai). Ela é esperta, comunicativa, dá contribuições efetivas e toma iniciativa. Todas características que devem ser extremamente valorizadas em qualquer funcionário -- imagine a minha sorte de achar uma empregada doméstica com essas características.

Tive hoje um excelente exemplo para ilustrar: 1) como ela é eficiente e 2) a diferença entre fazer um bom trabalho versus fazer um excelente trabalho.

Foi coisa simples, que é onde se consegue prestar na maioria das vezes um excelente trabalho. Numa atividade complexa, excelente é quando se executado exatamente o que foi imaginado por quem o pediu. Fazer algo além, não é excelente, é "UAU" (como ensinam na Disney University). Mas estamos falando de excelente. No trabalho simples, como qualquer um (presume-se) consegue fazer, quando faz-se algo além do esperado, faz-se algo excelente.

A situação: vim pro hospital de emergência (de novo) e fui internado. No total (se eu sair hoje) terão sido mais 5 dias aqui. Mara foi em casa pegar as coisas e esqueceu do meu aparelho de barbear. Normalíssimo, pois na correria e no stress, já estou feliz que ela conseguiu ter tempo pra me trazer cuecas novas. Mas dado que a última barbeada tinha sido na segunda de manhã, imaginem vocês como eu estava ontem (sábado). Minha esposa estava começando a pensar que casou com o Lobisomem da saga Crepúsculo...

Como minha mãe vinha pro hospital me ver, pedi pra Mara ligar pra empregada e pedir o aparelho de barbear e a espuma, separar numa bolsinha e dar pra minha mãe trazer. Serviço cumprido, bom trabalho.

Hoje de manhã, fui tomar banho e finalmente abri a bolsinha que tinha vindo ontem. Qual não foi minha surpresa quando, além de encontrar o aparelho e a espuma, ela também mandou o meu pincel de espalhar espuma (totalmente "nice-to-have", pois poderia usar a mão numa boa -- nem lembrei de pedir) e aí, no item que me fez falar "que trabalho excelente" ela teve a presença de espírito de mandar uma lâmina nova.

Veja só que detalhe besta! Vocês devem estar pensando, e daí? O daí é que isso significa muita coisa: que ela pensou no que eu ia fazer com o aparelho, não apenas cumpriu a ordem; pensou onde mais ela podia agregar valor numa tarefa simples (mandou o pincel); e se pôs no meu lugar (e se o aparelho estiver com a lâmina usada e ele quiser trocá-la).

Isso é o verdadeiro espírito do excelente trabalho. Não apenas cumprir a ordem, mas entender o que está sendo pedido e ir além, pensando no que a pessoa que fez o pedido realmente queria. No final, eu não queria que ela mandasse a lâmina e a espuma. Eu queria fazer uma boa barba depois de uma semana sem. E ela entendeu isso, através do meu pedido. Excelente trabalho.

Tuesday, March 23, 2010

Clínica Tobias Blues (atualizado)

Clínica Tobias Blues, Vol. ICanceriano Sem Lar (Clinica Tobias Blues)Procurando a foto da Clínica Tobias, descobri que lá era o único lugar que o Raul Seixas aceitava ser internado para desintoxicação. Chegou a escrever uma música, chamada de Clínica Tobias Blues (Canceriano sem Lar). Tem também um álbum chamado Clínica Tobias Blues, mas que engraçadamente não inclui a música em si.

Cheiro de hospital

Então, estou de volta ao hospital.

Passaram-se tantos anos desde a última vez que me internei aqui, que até esqueci quanto. Sabia que era inevitável, mas não deixava de achar que podia evitar de alguma forma.

Estando aqui, a gente tem tempo pra pensar. Sem poder fazer muito mais que ficar deitado, comer e caminhar, têm-se muito tempo pra pensar. Tem tempo até pra atualizar um blog que amanhã ia fazer um ano que não via nenhuma atualização (sim, eu também percebi). Numa dessas caminhadas, saí do lado de fora do hospital só pra sentir um pouco de ar puro. E aí percebi (e comentei com a Mara): todo hospital tem o mesmo cheiro.

Bem, eu não estive em todos os hospitais. Mas em todos que estive (e acredite, já estive em vários, em vários estados e até mesmo em vários países) nunca muda. O cheiro do hospital é característico. É uma mistura de ar condicionado e um suave toque de algo forte (álcool? formol?). Não sei definir, mas é muito distinto, único. Quando saí pra caminhar hoje, percebi a diferença, estando já meio viciado no cheiro do mesmo.

E aí me lembrei do único hospital em que eu não senti esse cheiro. E até um bom ponto da minha vida era a minha referência de cheiro de hospital -- ou seja, eu achava que todo hospital tinha esse cheiro.

Foi onde eu nasci, a Clínica Tobias. Não creio que minha memória olfativa vá de volta a minha data de nascimento, mas até um bom ponto da minha vida (11, 12 anos?) era lá meu pediatra. Era um cheiro único, de madeira envernizada. O lugar todo era feito de madeira, no piso de tacos largos, nas vigas grossas que sustentavam o teto, que tinha uma cobertura toda de madeira. Os batentes das portas, o balcão da recepção, e um palco que ficava logo na entrada, onde faziam rápidos shows para os enfermos. Os brinquedos de madeira que ocupavam toda a recepção, junto de poltronas fofas, também em madeira.

Nunca tirei aquele odor da minha cabeça, mas não posso dizer que fiquei desapontado quando percebi que outros hospitais eram diferentes. Na verdade, fiquei desapontado hoje, quando percebi que todos são iguais, e a Clínica Tobias é que era única.

Saturday, November 29, 2008

neva na Bélgica também

Não achei que iria ver tanta neve assim na Bélgica. Quase um palmo de profundidade, depois de nevar por quase 4 horas seguidas. Eu estava num almoço com brasileiros no dia. Depois que a neve parou, o único pensamento em todas as cabeças era "guerra de neve". E assim foi...

Monday, September 22, 2008

momento de reflexão

Um momento de reflexão é o que diz a palavra: para refletir. Como se sentássemos em frente ao espelho e déssemos uma boa olhada no que aparece. É difícil ficar em frente ao espelho e não pensar em nada. Convida-nos a um julgamento, a dizer a nós mesmos se gostamos ou não do que vemos.

Esses momentos são muitas vezes espontâneos. Nos pegamos sem querer refletindo sobre nós, pensando em nossas vidas, no que fizemos, no que estamos prestes à fazer. Esses são os mais importantes para nós. Raras são as ocasiões em que nos retiramos em silêncio determinados à auto-reflexão e introspecção.

Desses momentos tiramos conclusões (o julgamento) que, para o bem ou para o mal, ficarão conosco por um bom tempo. Como em qualquer julgamento, há um juiz que emite sua decisão final. Pode ser até passível de recurso, mas até lá é essa avaliação que perdurará.

O bom juiz não busca agradar nenhuma das partes envolvidas. Apenas julga e emite uma opinião neutra, sem influências. No momento em que encontramo-nos com nossa consciência nos julgando não há excusas, poréns ou entretantos. Apenas uma brutal honestidade consigo mesmo.

Nesse contexto me vi há algumas horas atrás. Caminhando nas ruas de Bremen, voltando do jantar.

Tenho passado muito tempo na Alemanha por conta de um projeto que estou liderando, viajando muito da Bélgica para cá, e consequentemente tendo tempo comigo mesmo. Mas nunca estou sozinho -- um livro, uma revista, um jornal. Me mantenho ocupado, às vezes enquanto caminho.

Mas não nessa noite, voltando do jantar.

Minha mente estava vazia dessa vez. Caminhava de volta ao hotel enquanto observava os prédios históricos. As placas escritas em alemão. O bonde e as pessoas que passavam. O frio de dez graus. Já era escuro.

E sem premeditação comecei a refletir. Sobre onde estou, o que estou fazendo, até onde eu cheguei. Pra onde eu vou.

Como é impressionante que há pouco mais de uma semana eu estava no Brasil. E agora estou há meio mundo de distância.

Como é assustador pensar que agora meu trabalho é aqui. E agora eu falo uma língua que não sou nativo.

Como é animador que tenho um time composto de pessoas de diversas nacionalidades. E que todos eles conseguem se entender.

Como me faz feliz realizar que meu filho já sabe uma segunda língua com 5 anos de idade. E que ele me enche de orgulho.

O juiz fez sua argumentação final e elaborou como tudo isso parece com sucesso e conquista, de como meus pais devem estar orgulhosos, amigos felizes e inimigos invejosos. Mas em seu veredito final ele deixou claro: trocaria isso tudo agora para estar com a Mara e meus filhos.

(Ultraviolet)

P.S.: Voltei a escrever no blog, depois de 5 meses, por mim. Não vou me enganar e dizer que irei atualizá-lo regularmente, pois sei que não irei. Se algo mais se manifestar, colocarei aqui. Ao eventual passante que leia essas mal-traçadas, obrigado e bon chance.

Sunday, April 20, 2008

O livro da Luísa... parte 1

Como vocês devem ter percebido (ou não) estou há um bom tempo sem postar nada. O trabalho está me consumindo mais do que eu gostaria. Eu tinha previsto que isso ia acontecer e deixei um bom "estoque" de textos guardados. Mas não tinha imaginado que eu ia esgotar tão rápido.

Pra "ajudar", iniciei um projeto guardado há tempos: desenhar o poema que escrevi pra minha filha, Luísa, pra finalmente transformá-lo em livro. O objetivo: dar uma cópia a nossos amigos no aniversário dela, em 24 de Maio. Ou seja, estou atrasado... :)

Pra quem tiver interesse segue a primeira imagem que consegui produzir depois de muito esforço. O intuito é desenhar um livro infantil. O poema conta a história de Seu Pato e Dona Pata que, depois de muito sonhar, mas sem conseguir terem um patinho, decidem adotar um.

Depois que escrevi o livro do Enzo me dei conta que a história alcança bem adultos, mas não crianças. Daí o poema pra Luísa. Queria que o Enzo e a Luísa tivessem um jeito simples de entender como é a adoção, sem passar pelos detalhes sórdidos que só os adultos conseguem criar.

Quando o livrinho estiver pronto, vou colocar no site pra vocês verem. Mas não quero publicar o poema sem os desenhos. Eles são parte integral de como eu imaginei a história sendo contada.

Espero que vocês gostem.

Tuesday, March 18, 2008

tempo maluco...

Hoje escrevo para vós diretamente de Bremen, na Alemanha, terra dos famosos músicos da cidade (no Brasil conhecidos como "Os Saltimbancos").

São duas da tarde, e olhar o tempo passar da janela nunca se mostrou tão interessante: já choveram duas vezes, nevou mais duas, caiu granizo agora há pouco e, nesse momento, o sol abre sua cara pela terceira vez. E um sol bonito, brilhante, dá até vontade de sair lá fora de camiseta, não fosse pelo fato que fazem 3 graus nesse momento.

Meus colegas alemães me disseram que isso é o que eles chamam de "tempo de Abril", ou seja, é assim mesmo. O único "porém" é que estamos em Março... isso tem outro nome, aquecimento global.

UPDATE: Agora ferrou de vez, tá nevando e com sol...

Saturday, March 1, 2008

blue screen of death

Há duas semanas atrás, passamos o final de semana num lugar muito legal chamado Center Parcs. Na verdade é uma rede de parques privados com chalés que você pode alugar pra passar toda semana ou um fim-de-semana apenas. Lá você tem uma infra-estrutura de lazer muito legal à disposição: piscinas aquecidas, bicicletas, quadras de tênis e por aí vai. Nesse que fomos tinha um algo mais: esqui indoor. Pensei: que ótima chance de matar saudades do Canadá.

Eramos três casais com sete crianças (minhas inclusas). No dia do esqui fomos em comitiva: todos os homens e todas as crianças (exceto a Luísa; lamentavelmente não tinham esquis pra crianças que não sabem andar). As mulheres acharam uma boa idéia ficar longe dessa "fria" (trocadilho não intencional).

Fomos esquiar, Enzo e eu. Claro que tive que acompanhá-lo o tempo todo. Num determinado momento, ele esquiou sozinho até o sopé do morrinho que lá havia, mas caiu no final. Eu vinha descendo logo atrás. Ao vê-lo chorando, fiz uma curva pra alcançá-lo mas me empolguei e cai também. A minha posição de queda foi tão ignóbil que eu não conseguia levantar. A única saída era remover os esquis.

Nesse momento percebi que minha posição era tão abjeta que minha mão não conseguiria alcançar a trava dos esquis pra soltá-los. Enzo continuava chorando. Eu então estiquei minha mão beeeem atrás de meu corpo, girando minha coluna quase 180 graus, num heróico esforço pra me livrar dos esquis. Nesse momento senti um "plec" dentro do meu braço. Pensei: isso vai doer amanhã. Mas alcancei os esquis, me levantei e peguei o Enzo. Problema resolvido.

No dia seguinte uma dor infernal fazia festa dentro do meu braço direito. Esse constante sofrer, que me acompanha enquanto escrevo essas tortas linhas, se manifesta na forma de um formigamento interminável irradiando do meu dedo indicador até o final do ante-braço. Amém pelo Ibuprofeno. Me dá vontade de dar um tiro na minha cabeça só pra me livrar da raiva que sinto de ter dado a maldita esticadinha pra soltar os esquis.

Claro que, depois de uma semana à base de analgésicos, fui à nossa médica de família (estou quase chegando ao clímax, segurem aí). Depois de fazer alguns exames rápidos ela decretou que eu provavelmente danifiquei ou machuquei um nervo da minha coluna. Nada de importante, claro. Me encaminhou então para um especialista em nervos e músculos.

Fui ao especialista na semana seguinte. Chegando lá fui atendido por uma médica, expliquei a história de novo e fizemos mais uma série de exames táteis. Finalmente, ela pediu pra que eu tirasse a camisa e sentasse ao lado de um aparelho.

O dito tinha vários cabos saindo dele. Um deles ela prendeu no meu braço. Outro, no meu dedo. E um terceiro ela molhou numa solução e encostou numa parte do meu pulso. Achei que fosse algo como um eletrocardiograma, que coleta informações que meu corpo está gerando, mas era uma versão mais sofisticada que não só recebia "input", mas dava "output" também. Em resumo, o aparelho ia testar meus nervos por meio de eletro-choques dados pelo terceiro cabo.

Pensei em correr. Talvez se eu derrubasse a máquina na médica tivesse uma boa chance de alcançar a porta antes dela se levantar. Mas eu já estava preso e qualquer movimento em falso podia resultar na cadeira elétrica. A idéia de receber choques não me preocupava (é, com certeza) mas sim um pequeno detalhe que notei na tela do aparelho. Resignado, me entreguei. E lá foi ela dando choque aqui, choque ali. Minha mão pulava como milho de pipoca em panela quente. Loucura, loucura. Algumas vezes realmente doeu.

Terminada a sessão de tortura, ela informou que essa era apenas a primeira metade. Mais choques, perguntei desconsolado? A afirmativa era o menor dos problemas, pois ela informou que o simples contato com a pele não resolveria mais. Pra testar meus músculos, os choques seriam administrados via uma agulha enfiada no meio deles.

Eu não sou (muito) cagão com coisas de hospital. Não ligo de levar injeção. Em condições normais de temperatura e pressão não seria nenhum grande drama levar choques através de um pedaço de metal atravessado nos meus músculos. Afinal, essas máquinas hospitalares são amplamente testadas e contém várias travas de segurança pra evitar que eu frite até a morte.

Mas havia um pequeno detalhe no satânico aparelho que deixava tudo muito mais perigoso. Algo tão assustador que me fez torcer para que o filho-da-puta que inventou a porra do equipamento tivesse a mãe na zona. Aquilo que apareceu na tela antes da sessão começar era tão macabro que somente alguém totalmente desprovido de senso comum aceitaria tomar choques via computador sem protestar.

Logo após me prender à máquina ela apertou uma tecla e pude ver, por um breve momento, o salva-tela que desaparecia. Dançando pra lá e pra cá, vi o logotipo do Windows XP.

Sunday, February 10, 2008

és velho

É engraçado como o tempo vai passando, passando e a gente não percebe. Não realizo que já sou considerado "adulto". Tenho uma cabeça não muito diferente dos meus 20 anos, quando eu me achava "jovem". Claro, amadureci em muitos aspectos. Mas sempre me encarei como o mesmo de sempre.

No final das contas aquele dito sobre que a idade da gente está na cabeça é a pura verdade: na minha, ainda tenho 20 anos. Percebi que não só eu acho isso quando vi a "tagline" de meu pai no MSN: "Meu Deus! Eu tenho um filho de 30 anos!" Imagino que ele também acha, em sua cabeça, que não tem mais que 20 anos.

Mara diz que eu tenho encanado com a idade por causa dos 30. Tenho mesmo. Mas o resto do mundo não tem ajudado também -- você passa a ser velho aos olhos dos outros, dane-se o que sua cabeça acha.

Na sexta, minha assistente estava conversando comigo e, ao mesmo tempo, digitando incrivelmente rápido em seu celular um SMS, com uma só mão. Ao notar, comentei: "nossa, você é rápida com isso", no intuito de fazer um comentário sobre sua capacidade individual. No que ela me respondeu: "é que eu sou da geração do celular, né?" De repente, meu comentário não reflete mais a habilidade pessoal dela, mas a inabilidade de toda a minha geração, da qual ela, do alto dos seus 24 anos, não se inclui.

Finalmente, ao assistir o segundo episódio da quarta temporada de Lost, vi uma cena em que a data de nascimento de determinada personagem é revelada, ao longo de suas credenciais: PhD disso, doutora daquilo, etc., etc. Ano de nascimento da dita: 1979.

É, o mundo me decretou velho. Quem sou eu pra discordar?

Friday, February 8, 2008

blog?

Uma imagem vale por mil palavras. Mas imagens e palavras, só assim para você conseguir quebrar essa insossa barreira dos mil:

Apesar da profunda verdade acima constatada, não se desiste:
E não serei eu a exceção. Provavelmente, ninguém vai ler nada disso aqui mesmo (além da minha mãe), mas eu vou escrever ainda assim...